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Servindo Voluntariamente Cabo Verde e a Humanidade

O Tenente-Coronel Arlindo Soares de Carvalho, Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde acompanhado do seu secretário geral, Dr. Salomão Furtado estiveram em visita de trabalho à região Fogo/Brava, de 10 a 17 do corrente mês de Agosto.

Durante a sua estada nessa região o Dr. Arlindo de Carvalho para além de anunciar a implementação de alguns projetos a nível da comunidade no município de S. Filipe destacando uma a ser executado na cidade dos sobrados que, a seu ver, irá alterar o visual e o perfil do jardim infantil e da sede do Conselho Local. Enalteceu também a sua estada com a comemoração duas datas bastantes caras à Sociedade Nacional, que são o Dia Internacional da Juventude festejado a 12 de agosto e o aniversário da assinatura das Convenções de Genebra de 1949, ocasião em que se memorizou a convergência dos Estados em tudo fazer para, em situações de desastres e conflitos, garantir a proteção das pessoas que trabalham para a Cruz Vermelha.

Na ilha do vulcão, o responsável máximo da CVCV visitou várias instituições parceiras e teve encontros de trabalho com os presidentes das câmaras municipais dos três municípios, mosteiros, S. Filipe e Santa Catarina respetivamente, com o intuito de aprofundar e incrementar a cooperação e parcerias existentes entre elas.

De saída do encontro com o edil de São Filipe, Arlindo de Carvalho disse que foram identificadas, muitas áreas de convergência, como também a possibilidade real das duas instituições trabalharem na melhoria das condições de vida dos munícipes. Continuando afirmou que as duas instituições convergem em vários assuntos, destacando a visão semelhante em vários aspetos, nomeadamente, no fazer chegar o apoio às comunidades, em trabalhar a resiliência, melhorar o atendimento e satisfazer as necessidades das pessoas.

No concernente ao jardim infantil que funciona no bairro de III Congresso, o mais alto responsável desta instituição humanitária cabo-verdiana afirmou que já se investiu algum dinheiro na melhoria do seu funcionamento, que, todavia, não se adequa ao perfil dos jardins de infância da Cruz Vermelha. “Por isso, terá de ser construído um de raiz, do qual já temos projetos de arquitetura e de cálculo de estabilidade, sendo este último cedido pela câmara municipal,” acrescentou.

Continuando, disse que o projeto atual, está orçado em cerca de sete mil contos, mas que existe um entendimento com a autarquia em fazer um projeto comum que integra uma praça próxima que serviria a comunidade local e um jardim com condições de acolher mais crianças. Quanto a intervenção na sede local ela será adaptada à ideia da edilidade em relação ao espaço nas proximidades, tendo em atenção a problemática de saúde para terceira idade e juventude.

Nos Mosteiros inaugurou-se a nova sede do Conselho Local, para de seguida reunirem com a câmara municipal e os outros parceiros onde analisaram novos projetos e discutiram questões relacionadas com a infância, a saúde e a proteção civil. Em Santa Catarina do Fogo, no encontro com o edil local o diálogo circunscreveu-se à problemática relacionada com o voluntariado, a saúde, a educação e a proteção civil.

“A nossa intenção é desenvolver um núcleo do voluntariado em Santa Catarina, bem treinado e preparado, para que possam ter condições propícias para o exercício de suas atividades da melhor forma possível”, assegurou Arlindo de Carvalho.

A Cruz Vermelha de Cabo Verde comemorou na passada segunda-feira, 19 de julho 46 anos de vida. Essa Associação humanitária foi constituída a 19 de julho de 1975, portanto depois de 14 dias da proclamação da Independência Nacional. Ela foi instituída em conformidade com os princípios e normas da Convenção de Genebra de 1949, e também dos protocolos adicionais, e pelo Decreto-Lei nº 2/75, publicado no Boletim Oficial nº 3/75, tendo o seu estatuto aprovado dois anos mais tarde, em 1977, pelo Decreto nº 52/77, de 18 de junho, posteriormente retificado pelo Decreto-Lei n.º 108/84, de 3 de novembro de 1984, publicado no Boletim Oficial n.º 44/1984.

Segundo o Comandante Pedro Pires, primeiro-ministro de Cabo Verde na altura, a sua criação não foi uma ideia e nem uma iniciativa virgem, visto que já existia no país, uma representação da Cruz Vermelha Portuguesa. “A preocupação do governo de então era transformar essa representação numa instituição nacional que pudesse agir autonomamente e estabelecer  relações com as homólogas internacionais, abrindo caminhos a uma cooperação que permitisse encontrar meios para solucionar os grandes problemas sociais que Cabo Verde enfrentava na ocasião”, argumentou.

Cabo Verde aproveitou a boa relação que existia entre o Comité Internacional da Cruz Vermelha e o PAIGC, que servia de intermediário para a entrega de feridos e prisioneiros de guerra às autoridades portuguesas para a alargar, também no âmbito da solidariedade humanitária. “Cabo Verde não tinha nenhum tipo de dúvidas e nem criou nenhum tipo resistência aquando da criação da CVCV, antes pelo contrário, o governo estimulou e apoiou essa transformação. Demos todo o apoio político, sobretudo o apoio diplomático necessário para que a CVCV se afirmasse e se credibilizasse internacionalmente”, acrescentou o Comandante. 

Durante esse período não havia conflito de interesses e nem oposições entre as entidades que dirigiam a CVCV e a política externa do Estado de Cabo Verde. Segundo o Comandante, havia uma coincidência de posições que facilitava o entendimento e a realização de iniciativas para avançar com o projeto da consolidação desta instituição nacional. Pedro Pires recorda as boas relações existentes com algumas Cruz Vermelha Internacionais e destaca a Cruz Vermelha Senegalesa que era chefiada pelo Dr. Rito Alcântara, descendente de cabo-verdianos e que deu um grande apoio à sua congénere cabo-verdiana. “O Comité Internacional da Cruz Vermelha fez um trabalho meritório no sentido de expandir a instituição no plano internacional”.

Pedro Pires instado a analisar a evolução da nossa Sociedade Nacional afirma que cresceu bastante e aumentou a sua influência na sociedade cabo-verdiana, sobretudo através dos seus projetos e do corpo de voluntários que é quem implementa e apoia as suas atividades. Continuando disse que a CVCV ultrapassou bem, ganhou bem os desafios que se lhe colocaram durante o seu desenvolvimento, e considera que, hoje, certamente, os desafios irão no sentido de aperfeiçoamento da sua organização, da realização das suas atividades e sobretudo no reforço e aprimoramento de intervenção do seu corpo de voluntários.

Em comemoração a esse dia a secretaria geral elaborou um programa e o ponto alto foi a realização de uma Webinar com a participação de cindo painelistas de entre eles O Presidente e o Vice-Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Os Drs. Arlindo Soares de Carvalho e José Avelino Gonçalves e os ilustríssimos Senhores, Comandante Pedro Pires, Drs. Eurico Pinto Monteiro e Augusto Vasconcelos Lopes todos com um papel que decisório na criação e evolução da Cruz Vermelha de Cabo Verde. O Comandante Pedro Pires era primeiro-ministro na ocasião, o Dr. Eurico Pinto Monteiro foi responsável para a criação da legislação que instituiu a Associação da Cruz Vermelha de Cabo Verde, o primeiro Plano de Cargos, Carreira e Salário o esboço zero de sua orgânica. E por último o membro honorário da Cruz Vermelha, o Dr. Augusto Vasconcelos Lopes, que tem apoiado esta instituição filantrópica desde sempre. 

Webinar teve como moderador o coordenador do Departamento do Voluntariado e da Juventude Sr. Adilson Cabral e na plateia estiveram presentes os Voluntários do Conselho Local de Praia, de São Domingos, de São Filipe do Fogo, da Ribeira Grande de Santo Antão, do Tarrafal de São Nicolau, da Ribeira Brava de São Nicolau, do Paúl, do Porto Novo e membros dos Conselhos Superior e Executivo, colaboradores e dirigentes da Cruz Vermelha de Cabo Verde. 

 

A Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV) promoveu nos dias 29 e 30 de junho um workshop sob o tema “Suporte Básico de Vida”, no âmbito do protocolo de cooperação existente com a associação “Médicos do Mundo” realizado no Conselho Local da Praia, onde 35 voluntários e colaboradores participaram nesta ação de capacitação

Segundo o secretário-geral da CVCV, Dr. Salomão Furtado, Médicos do Mundo chegou a Cabo Verde com uma equipa de finalistas de mestrado em medicina, num percurso académico, na perspetiva de partilha de conhecimentos, no quadro de uma parceria com o Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP) e a Universidade de Algarve.

Conforme aludiu este responsável a CVCV aproveitou a estadia desta equipa proveniente de Portugal e da vice-presidente desta associação, para capacitar e reciclar os seus colaboradores sobre as primeiras intervenções em caso de situações de emergências e socorrismos, como forma de preparar os participantes na eventualidade da necessidade de intervirem em situações de prestação dos primeiros socorros.

Esta Ação teórica e com uma forte carga prática, contou com os voluntários da ilha de Santiago, já que não foi possível alargá-la a outras ilhas, mas a CVCV tem um plano para a sua massificação, face as necessidades do país no sentido de dispor de um sistema de socorrismo com alguma capacidade de intervenção rápida em casos emergenciais, enquanto se aguarda uma resposta das unidades de saúde.

Médicos do Mundo convictos em ter “plantado semente num solo que irá produzir frutos maravilhosos”

Miguel Monteiro coordenador desta missão de Médicos do Mundo a Cabo Verde, destacou a parceria nascida entre a Cruz Vermelha de Cabo Verde durante a estada desta equipa no arquipélago, do qual resultou esta formação e que permitiu capacitar 35 colaboradores no campo do “Suporte Básico de Vida”, que de certeza será imprescindível para a prestação de primeiros socorros e de salvar vidas humanas.

O responsável desta associação de médicos assevera que os módulos do suporte básico de vida, ministrada durante a formação consiste num algoritmo internacional, que se afigura em uma série de passos que podem substituir tanto a função cardíaca como respiratória de uma vítima que esteja em paragem respiratória. Para isso é muito importante, a identificação precoce de uma paragem cardiorrespiratória e saber ligar para o número local de pedido ajuda, neste caso o 131 dos Bombeiros Municipais da Praia. Continuando, alertou que é urgente o País apostar na desfibrilhação automática externa e na estabilização da unidade hospitalar, elo que considera vital a sua implementação num mais curto espaço de tempo possível.

É de exaltar que os módulos, foram administrados num contexto prático de várias situações de suporte básico de vida como a posição lateral de segurança e desobstrução da via aérea.

Ana Fernandes, médica e formadora da Associação Médicos do Mundo, enalteceu ter trabalhado com “um grupo muito heterogéneo e com muitas realidades, e está convicto que esta formação foi o cultivo de uma semente que vai dar frutos maravilhosos”. 

Para Adilson Cabral, coordenador do Voluntariado e da Juventude da CVCV, que também foi um dos participantes desta ação de formação, a política desta instituição humanitária no reforço da capacitação dos colaboradores e voluntários tem sido muito interessante. Entende que, doravante, os participantes desta capacitação estarão mais e mais bem preparados para atenderem a demanda humanitária.

Sara Barbosa, voluntária da CVCV, considera ter saído desta formação mais bem capacitada para prestar os primeiros socorros no dia-a-dia, já que ganhou novos conhecimentos, metodologia e técnica.

“Mais do que uma reciclagem, foi bom aprender novos ensinamentos com estes formadores da Associação Médicos do Mundo, pois, foram superpacientes e abertos para com os formandos, o que nos permitiram aclarar todas as dúvidas. Aprendemos muitas dicas em como ajudar a salvar vidas em casos de necessidade até a chegada de especialistas”, realçou esta voluntária que já leva três anos como socorrista.

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