A embaixadora do Reino de Espanha em Cabo Verde na sua visita à Cruz Vermelha de Cabo Verde, ficou encantada com os projetos que lhe foram apresentados, considerando-os importantes para o futuro desta instituição filantrópica.

Com o propósito de se inteirar dos trabalhos realizados pela Cruz Vermelha de Cabo Verde quer no âmbito do combate à COVID-19 que vem disseminando no nosso país desde o passado mês de março, como no de natureza social, o Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Dr. Arlindo Soares de Carvalho recebeu no passado dia 20 de julho, na sede desta instituição humanitária, no plateau, a embaixadora do Reino de Espanha em Cabo Verde, Dra. Dolores Rios.

O encontro principiou-se com o cumprimento de boas vindas endereçadas pelo Tenente Coronel Arlindo de Carvalho à Dra. Dolores Rios, que visitava à Cruz Vermelha de Cabo Verde pela primeira vez, para de seguida ressalvar a excelente relação de cooperação existente entre o Estado de Cabo Verde e o Reino de Espanha e entre a nossa instituição filantrópica e a sua congénere espanhola.  Continuando, fez uma incursão pela história da Cruz Vermelha desde a sua criação até ao presente para depois centralizar a sua intervenção nos trabalhos levados a cabo pelos persistentes voluntários, quer no combate ao novo coronavírus, como nas atuações exercidas nas diferentes valências sociais e humanitárias.

Um outro assunto que mereceu a atenção do representante máximo da Cruz Vermelha de Cabo Verde nesta visita, foram os diferentes projetos em carteira que, com a sua execução, ela ficará melhor preparada para cumprir com sucesso a nobre missão que lhes são destinadas enquanto instituição humanitária e auxiliar dos poderes públicos nacionais e estarão em melhores condições de ajudar a debelar o sofrimento dos mais desajudados.

Dos projetos apresentados, Arlindo Soares de Carvalho considerou todos eles prioritários, mas destacou a Escola de Socorrismo, uma ambulância para assistência emergencial e institucional, uma viatura especializada para a recolha ambulatória de sangue nos diferentes povoados da ilha de Santiago e a construção de um centro de Gestão de Crise na ilha de Santo Antão, que funcionaria como extensão do Centro de Gran Canaria para a África Ocidental.

Por sua vez, o Dr. Salomão Furtado, secretário-geral da CVCV, ao intervir, elevou a questão que lhe é muito cara e que preocupa a Cruz Vermelha de Cabo Verde que tem a ver em encontrar parceiros disponíveis em financiar o fornecimento de refeições quentes e assistência aos lares de idosos, aos jardins infantis e outros projetos sociais, conferindo assim, alguma estabilidade a esta área prioritária.

A diplomata Dolores Rios, depois de auscultar com muita atenção as intervenções que lhe antecederam, mostrou-se sensibilizada com o notável trabalho realizado pela Cruz Vermelha e manifestou a disponibilidade do Reino de Espanha em apoiar com equipamentos de proteção individual, ventiladores, entre outros meios de combate à pandemia que o seu país, neste momento, dispõe de algum excedente. Em relação ao apoio financeiro, mostrou-se um pouco cética, justificado com a enorme crise que se vive por todo o mundo e em particular na Espanha.

Quanto ao financiamento de algum dos projetos apresentados, identificou todos eles de grande utilidade e necessárias para Cabo Verde, mas que a prática do seu governo em financiar qualquer projeto de uma ONG estrangeira tem que ser através de uma congénere espanhola, ou seja, os projetos da Cruz Vermelha de Cabo Verde, só podem ser financiados pela Cruz Vermelha espanhola. “Pelo que, cabe a Cruz Vermelha de Cabo Verde convencer a sua congénere espanhola e conseguir o financiamento”, concluiu Dolores Rios.

Arlindo Carvalho reagindo a este assunto assegurou que nestas situações Cabo Verde fica sempre em desvantagem, visto que as relações culturais e históricas existentes entre a maioria das sociedades nacionais europeias com as suas congéneres africanas do continente, onde na sua grande maioria detêm representações residentes, sobrepõe sempre as necessidades e as relações institucionais. “Temos batalhado contra essa relação de influência instalada, mas até ao presente, se afigura difícil mudar este conceito”, asseverou.

No final da visita a Embaixadora Dolores Rios ofereceu a Cruz Vermelha de Cabo Verde, 1150 máscaras cirúrgicas, 200 pares de luvas de nitrilo, 11 pares de botas permeáveis e impermeáveis, para depois, a convite do Presidente Arlindo Soares de Carvalho visitar a sede administrativa, o Conselho Local da Praia e as Instalações de Achada Grande Frente.

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