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Servindo Voluntariamente Cabo Verde e a Humanidade

No dia 11 de Abril, a Cruz Vermelha realizou a tomada de posse de Salomão Furtado, enquanto novo Secretário- Geral da Cruz Vermelha, na Sede Nacional no Plateau. O novo secretário-Geral defendeu a necessidade de se reforçar a capacidade de gestão, integridade e sustentabilidade da instituição, apontando a área das catástrofes e emergência como “sectores prioritários de intervenção”.

O Presidente da Cruz Vermelha de Cabo verde, Dr. Arlindo Frutado, afirmou que a tomada de posse do novo secretário-geral acontece no momento certo. “Estamos certos de que o Salomão Furtado, pelo seu trajecto e com a modéstia que lhe é peculiar, é o homem certo para o lugar certo.

No quadro das reformas em curso, tendo como propósito a modernização e o reposicionamento da CVCV, a montagem e a execução desses objectivos têm contado com a valiosa contribuição do novo secretário-geral”.

A ocasião serviu ainda para a inauguração do Centro Conselho Local da Praia no Paiol pelo Presidente da Cruz Vermelha, Arlindo Furtado e pelo Presidente da Camara da Praia, Oscar Santos. O novo espaço no Paiol servirá para materialização do projeto “Escola Nacional de Socorrismo e Cuidados”, assim como outros projectos sociais e de cariz humanitária.

Fonte:CICV * Este artigo faz parte da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial.

Peter Maurer
Presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

Neste mês, em Timbuktu, no Mali, me reuni com famílias sem alimentos, cujas colheitas foram ruins e cujas crianças foram mortas por artefatos explosivos improvisados. Não pude deixar de me comover com o profundo sofrimento dessas pessoas; muitas vivem uma situação de extrema ansiedade.

Da África Ocidental segui direto para Davos, na Suíça, onde chamei a atenção dos líderes da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial para a situação de sofrimento humano na região do Sahel.

Nada menos que 120 milhões de pessoas no mundo inteiro precisam hoje de ajuda para sobreviver, como consequência de conflitos armados e outras situações de violência. O Iêmen, a Síria e o Sudão do Sul são sinônimos de sofrimento.

No Sahel, surge uma nova realidade: a mudança climática está agravando os já devastadores impactos do conflito, da pobreza e do subdesenvolvimento. Nessa região de escassos recursos, as pessoas andam na corda bamba da sobrevivência. Com temperaturas atingindo quase o dobro da média global, a falta de ações certamente levará a um aumento da fragilidade e da insegurança, assim como das necessidades da população.

Hoje, nada menos que 120 milhões de pessoas no mundo inteiro precisam de ajuda para sobreviver, como consequência de conflitos e outras situações de violência

Não há soluções simples para abordar ou evitar os danos causados por essas dinâmicas complexas em grande escala. A ajuda humanitária de emergência será sempre necessária, mas não basta para atender às enormes demandas.

Este é um ano crucial para a resposta humanitária, pois os acordos políticos de longo prazo ainda são difíceis de alcançar em muitos lugares. É essencial que haja uma reorientação mais abrangente da ação humanitária – que ofereça visões e respostas de longo prazo, com a dimensão necessária. Este ano, acredito que os avanços em oito áreas trarão notáveis mudanças às necessidades humanitárias.

1. Foco nas áreas de tensão

Vinte das crises mais violentas do mundo estão na origem de mais de 80% dos deslocamentos e das necessidades humanitárias.

Os impasses devem ser substituídos por ações políticas decisivas, a fim de romper o ciclo de violência e apoiar as frágeis tentativas de estabilização.

A Síria, o Iraque, o Iêmen, o Chifre da África, a região do Lago Chade e as crises do Sahel, do Afeganistão e de Myanmar/Bangladesh continuarão sendo os principais centros de tensão em 2019.

2. Reunir ideias, habilidades e recursos

Sozinho, nenhum setor poderá dar conta da profundidade e da amplitude das crises humanitárias: os avanços exigirão um forte apoio dos Estados, das organizações internacionais e da sociedade civil em geral.

Embora o espaço humanitário neutro, imparcial e independente ainda seja o mais adequado para recompor as vidas e garantir a reconciliação, os atores humanitários podem liderar os esforços nas linhas de frente e guiar os demais em cenários marcados por sociedades fragmentadas, desafios de segurança e necessidades multifacetadas.

Organizações locais e internacionais podem se complementar. A academia oferece o pensamento crítico e a mensurabilidade, enquanto o setor privado possui uma capacidade sem igual para dinamizar as economias e apoiar as comunidades no desenvolvimento de negócios, competências e habilidades.

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho se encontra em uma posição única para vincular os esforços internacionais e locais e maximizar as respostas em mais de 190 países. O sistema das Nações Unidas possui um poder singular de convocação para reunir os Estados em torno de respostas mais generosas.

O Mecanismo de Ação contra a Fome (FAM), desenvolvido pelo Banco Mundial em parceria com o Google, a Amazon, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), é uma ideia potencialmente revolucionária: reúne novas perspectivas e conhecimentos para enfrentar um problema antigo e ameaçador.

3. Liberar novos investimentos para a ação sustentável

O modelo de financiamento humanitário tradicional se baseia na captação de recursos para os gastos humanitários de emergência. Diante de crises mais prolongadas e da crescente lacuna entre as necessidades e as respostas, a assistência tradicional deve ser acompanhada de investimentos mais sustentáveis e direcionados a pessoas, habilidades e recursos para as comunidades.

A grande questão em 2019 é se as partes interessadas vão avançar e aumentar os recursos em contextos frágeis, como o Programa para Investimento em Impacto Humanitário (antes conhecido como Bônus de Impacto Humanitário), ao mesmo tempo em que dividem o risco para aumentar a escala dos financiamentos inovadores.

4. Apoiar a autossuficiência, não a dependência

As comunidades afetadas pela guerra têm uma capacidade inerente de lidar com as crises. Em vez de incentivar a dependência de ajuda, devemos auxiliar as pessoas afetadas a passar da situação de emergência para a geração de renda.

As transferências de dinheiro substituíram a entrega física de assistência em algumas áreas, enquanto os microcréditos propiciaram a atividade econômica independente. A ajuda de emergência ainda é necessária em uma escala considerável, mas é hora de termos soluções mais sofisticadas, duráveis e que possam ser ampliadas.

5. Projetar novas respostas humanitárias

Dada a crescente conectividade mundial, os atores humanitários precisam estar mais próximos, engajados e responsáveis perante as populações afetadas. Devem apoiar mais os esforços de primeira resposta das populações e se preocupar mais sobre como elaborar uma resposta internacional para ajudar os atores locais.

Isso exige uma mudança das soluções pré-fabricadas para um apoio mais adaptado, contextualizado e, finalmente, individualizado.

6. Aproveitar as oportunidades digitais e prevenir os danos

As ferramentas digitais já transformaram a prestação de assistência e a interação com as populações afetadas. E o farão ainda mais no futuro. As grandes questões de 2019 vão desde a informação como benefício humanitário até a aplicação do Direito Humanitário Internacional (DIH) na guerra cibernética. A transformação digital traz oportunidades (melhores analíticas e cadeias de abastecimento) e desafios. É necessário um novo consenso sobre as identidades digitais e a proteção de dados, em especial nas zonas de conflito.

7. Abordar os traumas invisíveis

Cada vez mais nos deparamos com sofrimentos invisíveis, entre os quais se destacam a angústia e os problemas de saúde mental causados por violência sexual. Estima-se que, após crises humanitárias grandes e repentinas, entre 10% e 15% das pessoas desenvolvam doenças mentais leves ou moderadas, e até 4% delas tenham transtornos mentais graves. A saúde mental, portanto, deve ser uma prioridade nas emergências humanitárias e levada tão a sério quanto a saúde física. Apoiar a saúde mental das pessoas pode salvar vidas em tempos de guerra e violência, tanto quanto estancar um ferimento ou tratar a água.

8. Respeitar a lei, sem desculpas

Neste 2019, ao celebrarmos os 70 anos das Convenções de Genebra, reconhecemos que elas salvaram milhões de vidas e minimizaram o impacto dos conflitos sobre os civis durante décadas, criando condições para a estabilidade e uma paz mais duradoura.

Mas as Convenções precisam ser interpretadas e implementadas à luz dos desafios contemporâneos. Em 2019, quero que nos comprometamos novamente com o uso da força baseado na lei, o tratamento humano dos detidos e a proteção das populações civis. O respeito pelos princípios básicos é prioritário – mesmo em conflitos armados –, envolvendo operações de combate ao terrorismo, guerra assimétrica e situações de ampla insegurança pública ou de violência entre comunidades.

Mais de 2.300 pessoas isoladas, desde que o Cycone Idai atingiu Moçambique, já receberam suprimentos de emergência da Cruz Vermelha.

A comunidade do Buzi, que fica a sul da cidade da Beira, ficou quase totalmente isolada de assistência, devido às inundações e danos causados ​​pela tempestade sem precedentes há mais de duas semanas. Esta distribuição foi a primeira de muitas, tendo em conta as 20.000 pessoas no Buzi.

Segundo o Jamie LeSueur, chefe de equipe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), os esforços de distribuição no Buzi são um marco significativo de resposta diante ao desastre e à inacessibilidade das comunidades. “Todos os suprimentos de socorro trazidos para esta distribuição foram entregues por barco e por ar, já que todo o acesso rodoviário foi completamente impossível ”.

A entrega da Cruz Vermelha incluiu itens básicos, como kits de abrigo, galões, conjuntos de cozinha, lonas, baldes e ferramentas. Suprimentos que ajudarão a evitar a crescente ameaça de doenças que muitas comunidades estão a enfrentar.

A Cruz Vermelha de Moçambique atua no terreno antes mesmo do ciclone Idai e continua a apoiar mais de 200.000 pessoas em toda a zona do desastre. O ciclone Idai é a pior crise humanitária na história recente de Moçambique.

“ Sabemos que existem muitas áreas duramente atingidas, como o Buzi, onde as pessoas precisam desesperadamente de ajuda. Estamos fazendo tudo o que podemos para alcançar essas pessoas o mais rápido possível ”, disse LeSueur. “ As famílias que nos encontramos ontem já passaram por tantas coisas. Mas é incrível ver a resiliência dessas pessoas que começam a trilhar o caminho para reconstruir suas vidas ”.

A Cruz Vermelha de Cabo Verde em parceria com o Governo vai enviar uma equipa médica constituída por 12 pessoas, seis médicos e seis enfermeiros, para uma missão de socorro em Moçambique.

Segundo o presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Dr. Arlindo Carvalho, em declarações à imprensa, a CVCV está a ultimar os documentos para que a equipa médica cabo-verdiana possa integrar a grande equipa internacional que está no terreno em Moçambique, na sequência dos estragos e mortes causados pela passagem do ciclone Idai.

“A equipa cabo-verdiana vai integrar uma equipa composta por elementos das Nações Unidas e da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho”.

Conforme o presidente da CVCV, trata-se de um gesto simbólico da parte de Cabo Verde, uma vez que o sistema de saúde do país não permite que se possa enviar mais médicos.

Face a esta situação, a Cruz Vermelha  arrancou  também com a campanha "AJUDE-NOS A AJUDAR MOÇAMBIQUE" com o intuito de mobilizar recursos financeiros nas contas dos pricipais bancos comerciais do país.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 786 mortos e afectou 2,9 milhões de pessoas nos três países, segundo dados das agências das Nações Unidas.

Moçambique foi o país mais afectado, com 468 mortos e 1.522 feridos já contabilizados pelas autoridades moçambicanas, que dão ainda conta de mais de 127 mil pessoas a viverem em 154 centros de acolhimento, sobretudo na região da Beira, a mais atingida.

As autoridades moçambicanas adiantaram que o ciclone afectou cerca de 800 mil pessoas no país, mas as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.

 

 

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