
A Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV) deu início, esta segunda-feira (19), à formação da Equipa Nacional de Resposta a Desastres (NDRT), uma iniciativa destinada a reforçar as capacidades técnicas e operacionais da instituição para uma intervenção humanitária mais rápida, coordenada e segura em situações de emergência.
Com duração prevista de dez dias, a formação reúne participantes, formadores e representantes da Cruz Vermelha de Cabo Verde e da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), num programa que combina conhecimentos teóricos, preparação operacional e exercícios práticos.
A sessão de abertura foi presidida pelo Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Arlindo de Carvalho, que destacou a importância da preparação como condição essencial para uma resposta humanitária eficaz.
"A preparação de hoje é a capacidade de resposta de amanhã; e a capacidade de resposta de amanhã pode representar a diferença entre a vulnerabilidade e a proteção, entre a perda e a recuperação, entre o desespero e a esperança", afirmou na sua intervenção, o Presidente sublinhou que a responsabilidade da Cruz Vermelha não começa apenas quando ocorre uma emergência, mas também na identificação das vulnerabilidades, no fortalecimento das comunidades, na preparação dos voluntários e na organização dos meios necessários para uma intervenção eficiente.
Referiu ainda os desafios que Cabo Verde enfrenta perante fenómenos naturais extremos, recordando a tempestade Erin, em agosto de 2025, as chuvas torrenciais e inundações registadas em municípios de Santiago Norte, em novembro do mesmo ano, e a erupção vulcânica na ilha do Fogo.
Estas experiências, salientou, demonstram a necessidade de reforçar a capacidade de antecipar riscos, preparar respostas adequadas a diferentes cenários e proteger as populações afetadas.
Primeiro dia dedicado aos fundamentos da resposta humanitária
O primeiro dia da formação foi dedicado à apresentação do programa, à integração dos participantes e ao aprofundamento dos princípios e procedimentos que orientam a atuação da Equipa Nacional de Resposta a Desastres.
Entre os temas abordados estiveram os Princípios Fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, o papel e as funções da NDRT, o código de conduta e as medidas de salvaguarda, incluindo a prevenção da exploração e do abuso sexual.
O programa contemplou igualmente a compreensão do risco de desastres, com destaque para os conceitos de perigos, exposição, vulnerabilidade e capacidades, recorrendo a exemplos relacionados com inundações e seca.
Durante a tarde, os participantes aprofundaram os mecanismos de resposta e coordenação entre a Sociedade Nacional, as autoridades competentes e o Centro de Operações de Emergência (COE). A preparação pessoal para as missões, a segurança operacional, o autocuidado e a organização dos equipamentos necessários ao destacamento também integraram os trabalhos do dia.
Estas matérias constituem uma base essencial para preparar os participantes para os desafios operacionais que poderão enfrentar no apoio às comunidades afetadas por emergências.
Reforçar a capacidade de resposta em todo o território nacional
Ao longo dos dez dias, a formação abordará diferentes áreas da intervenção humanitária, incluindo logística, administração e finanças em emergências, saúde e apoio psicossocial, gestão da informação, envolvimento comunitário, água, saneamento e higiene, abrigos, proteção, género e inclusão, avaliação de necessidades e proteção dos meios de subsistência.
O programa prevê ainda uma simulação integrada de resposta a uma situação de inundação, permitindo aos participantes aplicar os conhecimentos adquiridos, praticar a coordenação entre equipas e reforçar a capacidade de tomar decisões perante diferentes necessidades humanitárias.
Num país arquipelágico como Cabo Verde, onde a dispersão geográfica e as limitações logísticas podem dificultar o acesso às comunidades afetadas, o reforço de uma equipa nacional preparada para apoiar as estruturas locais assume particular importância.
A iniciativa pretende, assim, fortalecer a articulação entre a estrutura nacional da CVCV, as estruturas locais e os voluntários, promovendo uma atuação integrada com as autoridades e os demais intervenientes humanitários.
No encerramento da sua intervenção, o Presidente da CVCV apelou aos participantes para que aproveitem a formação para adquirir novos conhecimentos, partilhar experiências e reforçar o sentido de responsabilidade associado à missão humanitária. "Perante os desafios humanitários, a nossa resposta deve ser clara: antecipar melhor, preparar melhor e agir juntos para proteger mais vidas", concluiu.
A formação NDRT representa mais um investimento no fortalecimento da capacidade institucional da Cruz Vermelha de Cabo Verde, com vista a uma resposta humanitária mais eficaz, segura e centrada na proteção da vida e da dignidade humana.