
Aconteceu hoje, 25, no Conselho Local da Praia da Cruz Vermelha, no Paiol, um Workshop de Socialização do Projeto da Cruz Vermelha sobre as alterações climáticas, cujo objetivo é de sensibilizar parceiros estratégicos através de ações de adaptação às alterações climáticas e desenvolver estratégias em pequena escala que, através da replicação, possam contribuir para a redução do risco de catástrofes.
O workshop funcionou sob molde de apresentações temáticas ilustradas por casos práticos, seguidas de trabalho de grupo.
Foram discutidos temas como clima e às alterações climáticas em Cabo Verde; Cidades e clima: Os espaços urbanos e os riscos de desastres climáticos; Clima e agricultura: Desafios face às alterações climáticas; Previsões e aviso prévio: Introdução à previsão e ações preventivas para Cabo Verde.
Cabo Verde está sujeito a uma vasta gama de riscos naturais, muitos deles devido à sua posição geográfica, o que resulta em condições climáticas severas com extrema aridez e elevada irregularidade de pluviometria. Não só os riscos de seca são específicos desta posição no clima global, mas também outros riscos como desertificação, erosão acelerada do solo, inundações e enchentes, deslizamentos de terras nas encostas e tempestades têm também um impacto muito negativo na vida dos habitantes deste pequeno país arquipélago.
A par deste elevado risco intrínseco, há também um aumento significativo das vulnerabilidades, particularmente nas zonas rurais e nas zonas urbanas em rápida expansão.

O projeto da Cruz Vermelha sobre as ações de adaptação as alterações climáticas, em benefício da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha de Cabo Verde (CVCV), faz parte de um financiamento do Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) do Reino Unido para a Parceria de Acção Precoce Baseada no Risco (REAP).
Lançado na Cimeira de Acção Climática da ONU em Setembro de 2019, o REAP reúne uma vasta gama de intervenientes das comunidades climáticas, humanitárias e de desenvolvimento, com o objectivo de tornar mil milhões de pessoas a salvo de catástrofes até 2025.
“Esta seleção é motivo de orgulho e responsabilidade para Cruz Vermelha de Cabo Verde. Os parceiros Internacionais tem mostrado grande confiança na cvcv”, afirma o Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde.
Segundo o Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Dr. Arlindo Carvalho, o projeto irá permitir que a Cruz Vermelha de Cabo Verde conheça melhor as comunidades e os grupos de riscos e trabalhar pela resiliência em vários domínios: saúde, saneamento, segurança, etc.
Faz parte deste apoio financeiro, juntamente com Cabo Verde, mais seis países: Fiji (Oceânia), Malawi (África), Panamá (América Central), Filipinas (Sudeste da Ásia), Uganda (África) e Santa Lúcia (Caribe).
A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho sempre tiveram a vocação de lutar contra todas as formas de sofrimento. E embora esteja empenhada em ajudar, também dá a todos aqueles que cruzam o seu caminho os meios para se fortalecerem.
Nas suas ações em todo o mundo, faz todo o possível para reduzir as vulnerabilidades das mulheres e dos homens que assiste. A adaptação às alterações climáticas e a redução dos riscos a elas associados é uma parte natural e integrante deste processo.


Cabo Verde enquanto Estado Signatário das Convenções de Genebra, país insular e arquipelágico, tem merecido sempre, uma particular atenção por parte dos órgãos internacionais do Movimento e da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha de Cabo
Verde.
Neste contexto, face a conjuntura internacional e nacional para que, juntamente com as instituições do país se possa debruçar sobre um conjunto de acções perspectivadas para Cabo Verde, esteve de visita a Cabo Verde no período de 15 a 21 de Maio corrente, uma importante delegação do Movimento Internacional que integra a chefe da delegação regional do Comité Internacional da Cruz Vermelha Dra. Valentina Bernasconi e o Delegado sub-regional da Federação Internacional Dr. Daniel Bolanos.
Durante a visita, a Delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha e o Delegado sub-regional da Federação Internacional, juntamente com o Presidente da Cruz Vermelha, puderam estar com algumas Entidades Governamentais como a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, Dra. Miryan Djamila Sena Vieira, Ministra da Justiça, Dra. Joana Rosa, Ministro de Administração Interna, Dr. Paulo Augusto Costa Rocha e Presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Dra. Zaida Morais Feitas.
Os encontros decorridos tiveram por objectivo analisar as possibilidades de parcerias para um conjunto de ações sociais, ainda previstas para este ano, particularmente a Conferencia Internacional do Direito Humanitário.
O Comité Internacional da Cruz Vermelha, representado pela Dra. Valentina Bernasconi, que cobre quatro países: Senegal, Gambia, Guiné-Bissau e Cabo Verde, ressaltou a importância da visita em reforçar a estreita relação de trabalho da Cruz Vermelha, sobretudo nos últimos anos devido à pandemia mundial.
“O Comité Internacional da Cruz Vermelha tem trabalhado com Cabo Verde no contexto da pandemia, mas também na formação de 3.000 voluntários para darem uma resposta comunitária à pandemia”, afirma a representante e relembrou que cerca de 1.000 famílias em Cabo Verde foram beneficiadas com um kit de alimentos graças ao apoio do CICR.
A Dra. Valentina Bernasconi salientou também o importante dossiê de imigração que a CICR e a Cruz Vermelha de Cabo Verde vem trabalhado em conjunto. Sendo uma temática contemporânea que afeta quase todos os países do mundo, onde a CICR e a Cruz Vermelha de Cabo Verde focam nas consequências humanitárias.
O Direito Internacional Humánitário é um outro dossiê, que a Dra. Valentina Bernasconi afirma que tem sido trabalhado juntamente com as entidades Governamentais de Cabo Verde e a Cruz Vermelha, nos contextos de violência e guerras.
O Delegado sub-regional da Federação Internacional Dr. Daniel Bolanos, por sua vez, falou da colaboração com a Cruz Vermelha de Cabo Verde no que tange às questões climáticas e as consequências recorrentes da seca.
Desde Maio de 2021, o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho convidou todas as organizações humanitárias a assinar a Carta sobre o clima e o meio ambiente para organizações humanitárias, já adotada por 25 organizações.
A Carta, cujo objetivo é fomentar um compromisso firme com a ação climática em toda a comunidade humanitária, está destinada a todas as organizações humanitárias – grandes e pequenas. Ela foi redigida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) com o apoio de um comitê consultivo e do setor humanitário. Seu propósito é orientar tanto a abordagem do setor humanitário diante dos riscos crescentes derivados da mudança climática quanto suas medidas para reduzir a própria pegada ecológica e de carbono.
Texto: DCRP