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Servindo Voluntariamente Cabo Verde e a Humanidade

O Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Dr. Arlindo Soares de Carvalho, o Vice Presidente, Dr. José Avelino de Carvalho e os novos membros do Conselho Superior eleitos para o mandato 2022 / 2026, foram investidos no passado dia 10 do corrente mês de março, na sede da CVCV no platô, por Sua Excelência o Sr. Presidente da República de Cabo Verde e Presidente de honra desta instituição filantrópica, Dr. José Maria Pereira Neves.

Para além de individualidades cabo-verdianas assistiram o ato a Dra. Ana Maria Teodoro Jorge e a Madame Bafou Ba, Presidente da Cruz Vermelha de Portugal e Secretária Executiva do Fórum das Sociedades Nacionais das Cruz Vermelhas da CPLP, Presidente da Cruz Vermelha do Senegal e Secretária Permanente do Grupo “Sahel Plus”, respetivamente

Após a tomada de posse de cada um dos membros, usou da palavra em nome dos voluntários a Presidente do Conselho Local do Sal, Iva Rodrigues, que destacou a disponibilidade e o empenho dos voluntários em prol da causa humanitárias. De seguida, o Presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde eleito para um novo mandato, Arlindo de Carvalho, deu as boas vindas aos presentes com destaque pela disponibilidade demonstrada pelo Presidente da República em dirigir a tão importante cerimónia, dando posse aos novos membros para depois enumerar os ganhos conseguidos nos últimos quatro anos e o que perspetiva para o novo ciclo que agora inicia, destacando os cinco eixos estratégicos a cumprir, como as mudanças climáticas, catástrofes e suas consequências, o reforço do voluntariado e mobilização da juventude, o fortalecimento da diplomacia humanitária, a modernização, reforma e desenvolvimento institucional e por último a comunicação e marketing.

Ainda no decorrer da sua intervenção o Dr. Arlindo de Carvalho assegurou que a CVCV vai continuar a garantir uma gestão eficiente, responsável e rigorosa dos recursos da sociedade nacional, estimular a observância dos princípios fundamentais das Sociedades Nacionais, dos valores de liderança, ética, integridade, transparência, excelência, respeito pela diversidade, inovação e profissionalismo na prestação de serviços, alinhados com as opções do Plano Estratégico da Sociedade Nacional (SN) e a estratégia 2030 do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

“Tudo o que a CVCV conseguir realizar nos domínios que consubstanciam os seus projetos, devem-se ao empenho abnegado dos seus voluntários e colaboradores, à amizade e solidariedade dos seus parceiros e amigos e à confiança, envolvência e cumplicidade dos poderes públicos nacionais com quem continuamos a contar”, enalteceu. 

No final, usou do púlpito o Senhor Presidente da República e Presidente de Honra da CVCV, Dr.  José Maria Neves para exaltar a visão dos governantes de então, em criar a Cruz Vermelha de Cabo Verde menos de duas semanas após a Independência Nacional. Continuando disse que esta criação não foi por acaso, mas sim por necessidade, em consideração ao histórico de calamidades que sempre afligiram as nossas ilhas, e pelo papel e missão da Cruz Vermelha, enquanto auxiliar de um Estado recém-nascido e com desafios que poderiam passar até pela sua própria sobrevivência.

Segundo o Presidente de Honra as intervenções da Cruz Vermelha de Cabo Verde, ao longo dos anos, provam, de forma eloquente, o quanto ela continua sendo necessária ao nosso país. “Desde o primeiro momento, esta instituição tem ajudado, com o seu, e o vosso meritório trabalho, na mitigação das consequências das várias situações adversas por que Cabo Verde tem passado, quase todas derivadas das condições naturais do arquipélago”, asseverou.

Ainda durante a sua intervenção o mais alto magistrado da Nação avançou que a Cruz Vermelha tem destacado não só em situações de crise, mas também no dia-a-dia do arquipélago que tem desempenhado, com discrição e eficácia, um papel fundamental no apoio às pessoas que por motivos diversos, se encontrem em situações de maior vulnerabilidade, assumindo sempre como sua missão prevenir e atenuar o sofrimento humano. 

 

De uma forma mais permanente, constata-se que a nossa Sociedade Nacional intervém em áreas primordiais e mais carente da nossa sociedade, como a da infância, a da terceira idade, da educação, da saúde, da juventude ou no plano dos Direitos Humanos globalmente considerados, assim marcando presença, de forma muito positiva, neste quase meio século do Cabo Verde independente. 

Como não podia deixar de ser, o Presidente da República fez menção a forma expectante, incrédula e de alguma incerteza como o mundo nos apresenta, realçando as consequências da pandemia da Covid-19, os efeitos da guerra na Europa, começando pelos seus efeitos no plano económico, e no novo quadro de equilíbrios geopolíticos globais, abrindo mais uma linha de dúvidas avassaladoras para todos. “A ordem mundial está em metamorfose e Cabo Verde deve ter inteligência para ir acompanhando as disruptivas mudanças em curso e adequar estruturas, capacidades humanas e políticas públicas às realidades emergentes”, asseverou. 

É justamente nestas ocasiões que a intervenção da Cruz Vermelha se torna ainda mais decisiva, pela sua garantia de imparcialidade, sem qualquer tipo de discriminação, nomeadamente de raça, nacionalidade, sexo ou ideologias políticas. “E é nesta conjuntura de inclemência que a Sociedade Nacional, pela nobreza da sua missão e pela sua longa e reconhecida experiência, terá de continuar a dar garantias no sentido de ter parcimónia nos gastos, de adotar uma cultura de poupança e evitar o consumismo, tendo em vista a crise que Cabo Verde tem enfrentado, por efeito de três anos consecutivos de seca e da pandemia de Covid-19, sem falar nas previsões que apontam para o agravamento das dificuldades, em consequência do eclodir da guerra na Europa. Pois, estes tempos difíceis aconselham à moderação nas reivindicações e a implementação de uma gestão criteriosa dos bens, por parte de todos”, aconselhou o mais alto magistrado da Nação. 

A cerimónia contou ainda, com as intervenções dos presidentes da Cruz Vermelha de Portugal e do Senegal, mostrando as disponibilidades e engajamento em reforçar as parcerias para responderem positivamente aos desafios que este mundo globalizado em metamorfose nos apresenta.

 

 

Vai ser uma instituição de excelência e líder nacional no campo social e humanitário no mandato 2022 /2026
 
Após a investidura pelo Presidente da República de Cabo Verde e Presidente de Honra, da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Dr. José Maria Neves, o novo Conselho Superior eleito esteve reunido no dia 10 de março, quinta-feira, período da tarde e todo o dia de sexta-feira 11, na sede do Conselho Local da Praia, sito no Paiol, em analise e aprovação dos instrumentos de gestão do mandato 2022 a 2026.
 
Os trabalhos decorreram em modo presencial e por vídeo conferência sob a orientação do Tenente Coronel Arlindo Soares de Carvalho, com a participação de todos os membros da novo Conselho Superior, os Presidentes dos Conselhos Locais, o Secretário Geral, a representante Nacional da Juventude, os Presidentes do Conselho Fiscal e da Comissão de Ética, o membro Cooptado e os demais colaboradores , que em conformidade com a ordem dos trabalhos dissecaram ao pormenor os documentos em análise, tais como o programa de mandato 2022 – 2026, o orçamento para o ano em curso, a proposta de alteração da Orgânica da CVCV e o projeto “Clima”, para no final, de forma unânime todos os conselheiros superiores presentes, os únicos com direito a voto, darem seu “agreement”.
Apesar de por ora, o mundo estar a navegar em águas turbulentas e cheio de incertezas concernente a dificuldades económicas e financeiras, pois a questão da Covid-1 contínua a disseminar, a seca cíclica teima em fustigar Cabo Verde e agora, a guerra instalada no coração da Europa com resultados imprevisíveis atinente ao seu término e efeitos dali emergentes, esta equipa que agora inicia funções, não baixam os braços e estão cintes nos desafios que têm pela frente, mas confiantes e decididos em garantir a solidez das suas bases e continuarem a assumir de forma plena os compromissos em prol da vida, da saúde, do bem-estar e da promoção da dignidade dos cabo-verdianos mais desprotegidos e arrasados pelos males que vem destruindo o planeta.
 
PROGRAMA DE GOVERNAÇÃO 2022-2026
As linhas mestras do mandato que ora inicia tem como assentamento a inovação e o reforço da base financeira da CVCV através de implementação da plataforma digital de jogos nacional, com abrangência internacional. Perspetiva-se também aprofundar o processo de reforma, o reforço das relações com os poderes públicos, implementação de projetos estratégicos, consolidação das parcerias nacionais e internacionais, fortalecimento do funcionamento dos Órgãos Sociais, modernização, gestão e administração da Sociedade Nacional.
Faz parte ainda desta incitação estratégica a implementação efetiva da Escola Nacional de Socorrismo e Cuidados com todas as suas valências, ao nível da terceira idade, da saúde, da alimentação, da psicologia e mesmo no que considerar contacto humano entre gerações, como também dispensar uma atenção especial a juventude e ao voluntário como pilares de sustentabilidade das ações humanitárias, por via de formação contínua e do desenvolvimento das suas capacidades de liderança.
A visão da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha de Cabo Verde prima por continuar sendo uma instituição de excelência e líder nacional, no campo social e humanitário, com foco nos grupos em situações de vulnerabilidade. Para isso ela deverá exercer uma influência real em termos de visibilidade, modificação de comportamento e também no que diz respeito a diplomacia humanitária.
Este programa de mandato tem como valores fundamentais a liderança, a ética, a integridade, a transparência, a excelência, o respeito pela diversidade, a inovação e o profissionalismo, pressupostos indispensáveis para que cumpra com êxito os objetivos estratégicos estabelecidos que estão intrinsecamente ligados ao salvar vidas, desenvolver ações humanitárias e reduzir a vulnerabilidade, reposicionar e fortalecer a Sociedade Nacional, promover a divulgação do DIH, fortificar relações de cooperação, prevenir, preparar e responder a DCOE, desenvolver competências, inspirar e incentivar jovens e voluntários enquanto veículo importante e transformadora de culturas institucionais para o revigorar da base do voluntariado, com implementação das suas políticas na promoção, transparência e credibilidade das suas intervenções.
 
ORÇAMENTO PARA 2022
O orçamento para o ano de 2022, homologado pelos conselheiros Superiores da CVCV define como objetivo estratégico de intervenção, salvar vidas em tempos de desastres e crises, desenvolver ações humanitárias, reposicionar e avigorar a presença da CVCV nas estruturas regionais e internacionais do Movimento, reforçar a diplomacia humanitária e promover a difusão do DIH entre voluntários, forças da defesa e segurança, universidades e demais servidores do Estado, mobilizar, capacitar e inspirar os jovens e os voluntários para as causas filantrópicas, incentivar a sociedade civil para ajudar a prevenir, preparar e responder a desastres, catástrofes e outras emergências com consequenciais imprevisíveis, desenvolver competências e diligenciar a valorização do individuo, implementar um modelo de gestão por processos com foco na modernização e descentralização e ainda fortalecer a base financeira, de infraestrutura física e tecnológica e de sistemas de suporte.
A sua elaboração foi feita a partir de uma análise ponderada do contexto económico e social, perspetivando alguma imprevisibilidade em 2022 resultante da contenção ou não da disseminação da Covid 19, a continuidade da seca em Cabo Verde e o término da guerra no coração da Europa, todas elas com repercussões arrasadoras ao nível social, económico, político e cultural.
Espera-se que a sustentação do sistema financeiro e económica, a saúde mental e o acesso a bens essenciais como alimentação, medicamentos, transporte, continue a degradar-se em todo mundo e, com maior acuidade em países como Cabo Verde onde as populações são mais carentes e dependentes.
Este orçamento está alinhado com as opções do Plano Estratégico da Sociedade Nacional (SN) e a estratégia 2030 do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, e nele foram fixadas como as grandes linhas de política a inovação e o reforço da base financeira da CVCV através de implementação da plataforma digital de jogos nacional, com abrangência internacional, o aprofundamento do processo de reforma, o fortalecimento das relações com os poderes públicos e implementação de projetos estratégicos e geradores de rendimentos, a modernização, gestão e administração da SN, a consolidação e o reforço de parcerias e relações de cooperação nacionais e internacionais, a mobilização da juventude e a fortificação do voluntário e também o aumento da capacidade de intervenção da CVCV no campo social e humanitário.
Para persecução deste orçamento projeta-se em termos de receitas o valor aproximado de 229 264 389,00 (duzentos e vinte e nove milhões, duzentos e sessenta e quatro mil, trezentos e oitenta e nove escudos cabo-verdianos), que será conseguida na mobilização de recursos significativos para este e anos seguintes, pelo que é imprescindível redobrar esforços e continuar no fortalecimento e consolidação de parcerias e relações de cooperação ao nível nacional e internacional, através de uma forte ofensiva diplomática humanitária.
Em relação a despesas prevê-se o mesmo valor de receitas, sendo o fornecimento de serviços externos com 155.278.349,00, pessoal, 60.540.582,00 e Outros Gastos Operacionais com 13.445.458,00, incluído atividades e investimentos previstos no quadro dos projetos da cooperação internacional.
O Plano de investimento estruturado para este mandato, está orçado em 1.178 milhões de contos e conta com recursos orçamentais internos, resultante da exploração dos jogos sociais e outros projetos geradores de rendimentos programados com recursos de terceiros. Considerando a limitação do espaço orçamental para 2022 na rubrica investimentos, a CVCV terá de recorrer a empréstimos bancários e a outras instituições financeiras, como também a mobilização de parcerias, para a execução dos grandes projetos.
 
NOVO REGULAMENTO ORGANICO DA CVCV
A fim de alinhar a estrutura dos serviços da CVCV aos novos desafios e medidas de políticas que se impõem neste novo ciclo, revigorar a capacidade técnica e institucional, promover uma melhor eficácia, articulação e coordenação, foi apresentado e ratificado ainda nesta reunião do Conselho Superior o novo Regulamento Orgânico da Cruz Vermelha de Cabo Verde.
Conforme a nova orgânica a secretaria geral é o órgão central responsável pela administração financeira e patrimonial, para a execução das deliberações dos órgãos superiores e pela coordenação e articulação dos serviços e projetos da Sociedade Nacional. Fazem parte desta estrutura central de coordenação os departamentos de catástrofe, logística, segurança alimentar e nutricional, da saúde, socorrismo e educação, da juventude e do voluntariado, de comunicação e relações públicas e do planeamento, administração e gestão de projetos.
As alterações mais substantivas da nova estrutura tem a ver com o realinhamento e organização dos encargos, reforço das competências técnicas internas, racionalização de meios para uma maior eficácia e eficiência, face aos desafios do novo ciclo de governação que se inicia.
Por exemplo, no domínio da comunicação esse desafio impõe-se com maior acutilância, porquanto, para além da dispersão de meios, continua-se a ter muitas limitações e dificuldades, custos associados importantes, ausência de instrumentos e competências internas, consubstanciando fragilidades institucional que obriga o SN a recentrar os serviços internamente, concentrando todos os meios, reformar e acelerar o processo de consolidação deste tão importante instrumento de formação e informação desta instituição humanitária.
Esta Reunião ordinária sendo a primeira do mandato foi muito dinâmica e tudo aponta para o primar da transparência, eficiência e eficácia com o compromisso de arregaçar as mangas e criar almofadas, para que as bases financeiras sejam mais robustas de forma a assegurar o cumprimento das incumbências humanitárias junto dos mais vulneráveis. Pois as responsabilidade e obrigação de cumprir o legado que foram deixadas pela governance anterior e as exigências de fazer mais e melhor são mais Incisivas e rigorosas.
Como forma de se tirar mais e melhor proveito do planeta, o homem na ganância de produzir mais e mais sentiu-se obrigado a utilizar cada vez mais fontes energéticas, como o petróleo, o carvão mineral, e biocombustíveis sem se preocupar com os efeitos nefastos que daí advém. E como consequência, hoje temos alguma instabilidade climática ao nível do planeta, de entre os quais o aquecimento global que se tem mantido intenso e em quantidades crescentes, perigando a continuidade de vida na terra.
Sendo uma questão candente e atual nesta primeira Reunião Ordinária dos novos Conselheiros Superiores da Cruz Vermelha de Cabo Verde, depois de aprovarem por unanimidade os instrumentos de gestão para o ano que agora iniciou, o programa de mandato 2022/2026 analisaram e a nova orgânica, sancionaram também de forma harmonizada o projeto “Clima”, financiada pelos Fundos do Escritório de Relações Exteriores, da Commonwealth e do Desenvolvimento do Reino Unido, no valor de CHF 76.313,00, equivalente a 8.227.075$59, (oito milhões, duzentos e vinte e sete mil, setenta e cinco escudos cabo-verdianos) que deverá ser executado em seis meses.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde que tem preocupado e muito com os impactos das alterações climáticas e que tem como uma das sua atribuições prioritária ajudar a sua contenção de forma a reduzir os efeitos nefastos que ela vem provocando a nível global, foi uma das instituições escolhida para ser parceira na condução deste projeto, em Cabo Verde, conjuntamente com mais cinco países.
Este projeto que vai estar sob a coordenação do Diretor do Departamento de Catástrofe, Logística, Segurança Alimentar e Nutricional (DCLSAN), Sr. José Simedo, coadjuvado pelo Sr. Eduardo Ramos e auxiliados pelos Presidentes dos Conselhos Locais, Associações Comunitárias, Câmara Municipais e demais parceiros tem como propósito incutir nas populações a necessidade de mudança de comportamento relativas a determinadas posturas com o ambiente, reforçar as suas capacidades de resiliência e habilitá-las a enfrentar as mais diversas ocorrências extremas, tanto a nível económico, como as derivadas de inundações, furacões e alterações térmicas extremas que perigam vidas humanas. Em Cabo Verde, a tarefa é também reduzir o impacto das transformações climáticas nas famílias mais vulneráveis.
Não obstante a Cruz Vermelha de Cabo Verde ter consciência que todos os municípios merecem ser beneficiados, mas por ser um projeto piloto com algumas limitações financeiras, nesta fase, foram selecionado os de São Domingos e São Lourenço dos Órgãos na ilha de Santiago e o do Maio, por serem edilidades fortemente afetadas pela erosão que devido a elevada taxa de desemprego muitas famílias em alternativa socorrem da extração de inertes para o sustento do agregado familiar, sem pensar nos efeitos a posteriori quer para a saúde, como para o ambiente originada pela fragilidade dos ecossistemas em que essa atividade é exercida.
Essa prática tem originado impactos fortemente negativos sobre a paisagem litoral e rural, aumentando o diâmetro das cavidades/crateras extrativas, permitindo intrusões de salinas com impacto extremamente pernicioso para os solos e leitos das ribeiras.
Para ajudar essas famílias e evitar que continuem com essas atividades corroborando para deleção do ambiente, entendeu-se, alocar este projeto a essas localidades e trabalhar com seus moradores na perspetiva de solucionar esse problema que é gritante em Cabo Verde.
Os beneficiários diretos deste projeto são indivíduos em situação de extrema pobreza e famílias agrícolas com maior incidência nas mulheres chefes de família e os indiretos, são os voluntários e colaboradores da Cruz Vermelha de Cabo Verde, estudantes universitários, entre outros, que serão capacitados e formados para poderem massificar a problemática do ambiente a todos os vales e cutelos deste país.
A Cruz Vermelha de Cabo Verde está convicta que o trabalho a realizar junto das comunidades contempladas irá minimizar o impacto das alterações climáticas e mudar o comportamento dos extratores de inertes e respetivas famílias. “Estamos cientes, que a implementação deste projeto, por si só, não vai resolver o problema se concomitantemente não tomarmos medidas, como uma fiscalização reforçada e coerciva, em relação a extração de inertes no leito das ribeiras e no mar, oferecendo como alternativa outras atividades que possam garantir-lhes o sustento da família, nomeadamente trabalhos agrícolas, florestais, pesqueiros, etc” exemplificou José Simedo.
“Ainda em termos de sensibilização e informação vamos utilizar a rádio nacional e comunitária, as televisões públicas e privadas, nas reuniões de associações de bairros e também através de organizações não governamentais (ONG’s), explicando as vantagens e benefícios desta mudança de comportamento na valorização da saúde da comunidade, da paisagem, como também dos perigos associados às «feridas» deferidas na paisagem” assegurou Eduardo Filomeno Ramos um dos responsáveis pela execução do projeto.

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