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Servindo Voluntariamente Cabo Verde e a Humanidade

 
Sob a presidência do Tenente Coronel Arlindo Soares de Carvalho o Conselho Executivo da Cruz Vermelha de Cabo Verde esteve reunido na passada sexta-feira, 06 de novembro em sessão ordinária, na sua sede nacional, sito na rua Andrade Corvo 36, no plateau, em conformidade com o estatuído no artigo 22º, do Decreto nº 108/84 de 3 de novembro.
O supracitado encontro, respeitando as diretrizes da Direção Nacional de Saúde e o estado preocupante de disseminação da SARS Cov 2 na capital do país realizou-se em moldes presencial e por videoconferência através da plataforma “Google Meet” desta instituição filantrópica, e em conformidade com o plano dos trabalhos aprovado no início, os conselheiros presentes ratificaram a ata da reunião anterior com algumas modificações, congratularam como a forma como decorreu a Assembleia Geral Extraordinária efetuada nos dias trinta de setembro e um de outubro findo e após uma análise exaustiva do dossiê IFH/CVCV deram o seu aval ao Secretário-geral, Dr. Salomão Furtado para prosseguir as negociações com a IFH. Quanto a reabilitação da sede do Conselho Local da Praia, localizada no Paiol, danificada pelas chuvas torrenciais que assolou a ilha de santiago no mês de setembro último com avultados prejuízos para Cruz Vermelha, os conselheiros executivos mostraram-se reticentes e apreensivos em autorizarem qualquer investimento de vulto naquele espaço, por considerarem de alto risco a sua circunscrição, neste momento de imprevisibilidade ocasionada pela instabilidade climática que tem provocando inundações e outras devastações naturais por este mundo fora. Os conselheiros são de opinião que se deve recuperar esse empreendimento, o suficiente para dotar-lhe de dignidade e funcionalidade imprescindível para continuar a abrigar o Conselho Local da Praia.
Um dos pontos que mereceu a anuência e felicitações dos presentes foi o Projeto de “Segurança Alimentar e Nutricional no Contexto da Covid-19” financiado pela Embaixada de Canadá no Senegal, apresentado pelo seu coordenador Filomeno Semedo, que arrancou esta segunda-feira, 9 de novembro. O único senão do projeto apresentado na ótica dos presentes é a não contemplação das ilhas de Boavista e Sal por imposição do financiador por considerar, na ocasião da sua elaboração, que as suas condições sociais eram satisfatórias. Por considerarem que houve alteração de paradigma social em virtude da pandemia que vem afetando de forma considerável todo Cabo Verde e também essas duas ilhas mais turísticas de Cabo Verde foi posição unanime dos presentes, que se deve também inclui-las neste projeto de segurança alimentar ou através de outras iniciativas e financiamentos.
No final do encontro que se prolongou para além das 0.00, no ponto diversos abordou-se diversos assuntos como a situação da sentença produzida pelo 5º Juízo Cível da Comarca de Lisboa em relação ao contencioso CVCV/IWD2, a indigitação do Vice-Presidente, Avelino Carvalho para representar esta instituição humanitária no Conselho Nacional de Direitos Humanos e Cidadania, assim como os desafios e responsabilidades da Cruz Vermelha com a assinatura do contrato de concessão dos jogos sociais por um período de 20 anos assinado entre a Cruz Vermelha e o Governo de Cabo Verde.

A pandémica crise causada pela Covid-19 abalou um pouco, mas a excelente estrutura organizativa e capacidade de trabalho permitiram à Cruz Vermelha de Cabo Verde manter a cabeça fora de água e funcionar de forma desafogada, garante o director Administrativo e Financeiro da organização, Afonso Tavares, que aponta o crescimento das receitas em 9,8% e a gestão eficiente dos recursos como factores determinantes para assegurar a estabilidade e a vitalidade da CVCV nestes últimos três anos (2017-2020) do primeiro mandato do já renovado Conselho Directivo.

A Cruz Vermelha de Cabo Verde vive uma situação financeira e patrimonial sólida e estável, garante, com convicção, o director financeiro da organização de cariz social e humanitária. Melhor, segundo Afonso Tavares, a CVCV até viu reforçada a sua estabilidade financeira, em tempos de Covid-19, pela sua capacidade de mobilização de recursos externos e internos.
"A situação de estabilidade foi reforçada pela capacidade de mobilização de recursos externos e internos junto de parceiros tradicionais como o CICR – Comité Internacional da Cruz Vermelha, a IFRC – Federação Internacional da Cruz Vermelha do Crescente Vermelho e Congéneres, Governo do Canadá, Santa Casa da Misericórdia, Agência Europeia para o Desenvolvimento, etc. e no plano interno, com o Governo através do Ministério da Família e Inclusão Social e SNPCV, Câmaras Municipais, Empresas privadas e Iniciativas da sociedade civil em Cabo Verde e na diáspora", indica Tavares.

O responsável acredita que tal só foi possível devido à boa imagem e credibilidade que a Cruz Vermelha de Cabo Verde nutre hoje junto dos seus parceiros, facto que permitiu um encaixe financeiro, em donativos e equipamentos significativos que permite a CVCV continuar a ajudar a combater as consequências nefastas da Covid-19 junto da população mais necessitada. "No decurso deste ano, em resultado de uma forte diplomacia desenvolvida ao longo deste mandato, aliado a uma boa imagem e credibilidade institucional, a Sociedade Nacional da Cruz Vermelha de Cabo Verde, no actual contexto da pandemia designadamente, mobilizou em financiamentos e donativos financeiros, mais de 69 milhões de Escudos e doações em equipamentos e materiais avaliados em mais de 9 milhões de Escudos", aponta o Director Administrativo e Financeiro - DAF.

Além destes apoios pontuais, a CVCV construiu, nestes três últimos anos do primeiro mandato da equipa directiva liderada por Arlindo Carvalho, um património e uma estrutura organizativa que lhe permitiu crescer em média 9,8%, fruto da modernização e implementação do sistema de divulgação de extração de jogos. "A melhoria da gestão dos jogos sociais, a maior fonte de receitas da Cruz Vermelha (86%) e a iniciativa ousada de colocar o processo de escrutínio na TV em directo, impactou positivamente e em cerca de 9,8% as receitas da CVCV, libertando mais recursos para as acções e intervenções humanitárias", explica Afonso Tavares, reconhecendo, contudo, que "com a suspensão dos jogos sociais, durante o Estado de Emergência, as receitas decaíram. Mas, graças aos nossos parceiros nacionais e internacionais conseguimos funcionar regularmente".

Contas fechadas e auditadas

Em jeito de balanço de mandato, o responsável pela Administração e Finanças da Cruz Vermelha de Cabo Verde mostra que "nestes três anos, os ganhos conseguidos, com impacto financeiro, estão na cooperação e parcerias nacionais e internacionais. A título de exemplo, das parcerias nacionais com as Câmaras Municiais, temos doações em terrenos calculados em mais de 76 milhões de escudos. Nas parcerias internacionais temos doações em máquinas e equipamentos calculadas em cerca de 9 milhões e setecentos mil escudos, para além de dois contentores um de 40 e outro de 20 pés em roupas, calçados e outos materiais doados. Em termos de ajuda monetária, entraram na nossa conta bancaria mais de 69 milhões de escudos ofertados por parceiros nacionais e internacionais. E nessas contas não estão incluídas recursos mobilizados pelos Conselhos Locais em contextos próprios e comunitários, como por exemplo, o contentor conseguido pelo CL de S. Vicente com cerca de 40 camas especiais  e outros petrechos”.

“Com esse dinheiro concluímos na Praia a remodelação da Sede Nacional da CVCV, o Jardim infantil, o armazém de Achada Grande, edifício do Conselho Local e o edifício da 3ª Idade da Praia, em assomada o edifício Conselho Local e o Jardim infantil, No Maio o edifício do Conselho Local e Jardim infantil, em Porto Novo o edifício do Conselho Local, na Ribeira Brava S.N. o edifício Conselho Local e o lar 3ª Idade, na Brava o edifício da 3ª idade e o Conselho Local, entre outras pequenas modificações, num montante total de cerca de 45 milhões e 600 mil escudos. Vai-se iniciar a remodelação do Lar da Terceira idade de São Vicente com contrato assinado no montante de aproximadamente 4,600 milhões de escudos", enumera Afonso Tavares, sublinhando "um quadro de activos importante constituído por uma carteira de investimentos em aplicações financeiras, depósitos a prazo, ações em empresas de telecomunicações, instituições financeiras, além de uma rede de património imobiliário".

Enfim, para o DAF da CVCV, a gestão eficiente dos recursos tem permitido à Cruz Vermelha assegurar o funcionamento de 8 Centros de Idosos, 11 jardins de Infância, beneficiando anualmente 340 idosos e 630 crianças em idade pré-escolar, para além de outros projetos ao nível de cuidados da saúde como o funcionamento do Centro de Consulta de diabetes da Praia, que beneficia mais de 3.000 pessoas/ano e ainda os programas de assistência ao domicílio a cargo de certos Conselhos Locais.

Outro importante dossiê transitado da gestão anterior foi o processo judicial instaurada contra a empresa portuguesa, IDW, pelo falhanço na informatização dos jogos da CVCV, que arrasta desde 2009. Este dossiê, pela sua complexidade, implicou a mobilização de capacidades técnicas e recursos financeiros para o seu acompanhamento, a partir de Lisboa. O que, motivou diversas deslocações do presidente da CVCV, Arlindo Carvalho, seu staff e as testemunhas a Portugal para lidarem de perto com o processo, que a CVCV haveria de ganhar em tribunal com a IDW condenada a pagar uma indemnização de mais de 400 mil euros, incluindo os juros. "Esse valor será investido no Projeto de reforma dos jogos, no novo quadro jurídico e enquanto concessionária dos jogos sociais por um período de 20 anos", esclarece Tavares.

"Todos esses ganhos estão subjacentes a uma boa liderança, gouvernance e em especial a transparência na gestão dos recursos institucionais. E, falando de transparência, todas as contas de 2016 a 2018, estão auditadas pela renomada empresa de auditoria, a PriceWaterHouse, enquanto que as de 2019 estão em curso. “Importa-se dizer que as contas de 2016 e 2017 da gestão anterior, tiveram de ser fechadas por uma empresa de contabilidade e auditadas pela PwC por iniciativa da actual Direcção, não obstante terem sidas aprovadas em sede da Assembleia Geral de outubro de 2017, altura em que foi eleita a nova equipa", pontua Afonso Tavares.

De acordo com Tavares, todos estes ganhos provam que a CVCV está firme e activa, com obras feitas e diversos projectos em carteira, prontos a serem implementados e colocados ao serviço das pessoas, que é o mais importante para a Cruz Vermelha de Cabo Verde, enquanto instituição de elevada responsabilidade social e humanitária.

 

 

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