
Os voluntários do Conselho Local da Cruz Vermelha de Cabo Verde no concelho de Tarrafal de S. Nicolau continuam empenhados e não medem esforços em garantir alguma comodidade aqueles que mais necessitam. As suas disponibilidades e vontade de ajudar continuam intactas, como se fosse no primeiro dia.
O Conselho Local da Cruz Vermelha de Tarrafal de S. Nicolau, não obstante o levantamento do estado de emergência e de não se ter confirmado nenhum caso positivo na ilha, até ao momento, os voluntários desta instituição humanitária continuam a palmilhar diariamente, as localidades mais recônditos do concelho para auxiliar aqueles que mais necessitam, quer na distribuição de alimentos como na sensibilização no combate à pandemia provocada pelo novo Coronavírus.
Ontem, terça-feira, 5 de março, no âmbito da campanha “Higienização no Combate ao COVID19” distribuíram kits de artigos de higiene e limpeza, no qual foram beneficiadas cerca de 100 famílias residentes nas diferentes localidades da edilidade como Cabeçalinho, Fragata, Hortelã, Palhal, Tarrafal, Praia Branca e Ribeira Prata.
Foram ainda entregues aproximadamente 45 cestas básicas, às famílias vulneráveis da cidade do Tarrafal, de acordo com o programa levadas a cabo pelos jogadores da Seleção Nacional de Futebol de Cabo Verde denominado “Driblando Covid19”.
Os Futebolistas da Seleção Nacional Jogam Fora de Campo Ajudando os Mais Carenciados
Os jogadores da seleção nacional de futebol mostram-se solidários com a difícil situação que vive uma grande franja dos cabo-verdianos, em virtude da pandemia do novo coronavírus. Juntaram-se numa campanha de solidariedade “Driblando a Pandemia COVID-19” angariando fundos para ajudar a Cruz Vermelha de Cabo Verde a diminuir o sofrimento daqueles que mais precisam.
A meio percurso da Campanha “Driblando a Pandemia COVID-19” levados a cabo pelos jogadores da Seleção Nacional de Futebol, os seus representantes no país, Sr. Alveno Soares entregaram à Cruz Vermelha de Cabo Verde o montante de 2.065.000$00 (dois milhões e sessenta e cinco mil escudos cabo-verdianos), para ajudar, via Conselhos Locais, os mais necessitados na mitigação das enormes carências vivenciadas no âmbito do novo coronavírus.
É de salientar que o valor monetário destinado a cada Conselho Local varia de 80.000$00 a 330.000$00 e já está a ser depositado na conta bancária de um fornecedor indicado pelos promotores que os disponibilizará em géneros de primeira necessidade à Cruz Vermelha local mediante apresentação do talão de depósito bancário, que os constituirá em cestas básicas e distribuir aos beneficiários.
Recorde-se que o montante arrecadado pelo combinado nacional, nesta fase, foi mobilizado em aproximadamente uma semana e o procedimento definido para a sua distribuição foi estabelecido, seguindo o acordado com os impulsionadores em função da demografia dos conselhos e do grau de pobreza prevalecente.
Contudo, para complementar as ações de distribuição aos 19 dos 22 Concelhos Municipais, o Dr. Eduardo Ramos, Ponto Focal da Segurança Alimentar e Nutricional na Cruz Vermelha de Cabo Verde e representante desta instituição humanitária nesta campanha solicita um acréscimo às verbas ofertadas para ajustar em despesas de distribuição como bolsas, refeições dos voluntários e transportes.
Segundo Alveno Soares, este projeto é muito maior e mais abrangente que o simples apoiar a população carenciada neste momento penoso porque passa Cabo Verde e o mundo. “Os jogadores escolheram Cruz Vermelha como parceira deste gesto, por a considerarem uma instituição credível, com especificidade e melhor preparada para levar avante e com êxito este projeto” concluiu.
Em alguns dos Conselhos Locais onde o valor disponibilizado já estão na conta dos fornecedores, iniciaram o levantamento dos produtos e confeção das cestas básicas, que segundo consta foram distribuídas no decorrer do último fim-de-semana. Para os responsáveis locais desta instituição humanitária, trata-se de uma iniciativa louvável, na medida em que permite diminuir as dificuldades de várias famílias que passam por privações diversas e que carecem de uma «mão amiga» para levarem a panela ao lume.
“É óbvio que a demanda é bem maior que a oferta, pelo que vamos tudo fazer para ter mais e fazer melhor. Continuamos engajados na busca de mais meios para mitigar às necessidades de muitas famílias” ressalvou Eduardo Ramos.

O Conselho Local de S. Vicente têm sentido fortalecido com a capacidade de assimilação demonstrada pela população aos trabalhos de sensibilização e aconselhamento. A comunicação é bem recebida, com uma interação proveitosa.
Para o Conselho Local de S. Vicente o desempenho dos voluntários da ilha de Monte Cara tem sido assertivo nas suas atuações, com destaque para os trabalhos de esclarecimento e campanha de sensibilização. “Sentimo-nos gratificados e estimulados pela forma genuína e afetuosa como a população nos tem recebido e pela franqueza e afetividade nas nossas interações”, garantiu-nos Romine Oliveira, Presidente da Cruz Vermelha local.
A prioridade dos voluntários mindelense tem sido as zonas periféricas e com grande vulnerabilidade, onde o défice na receção de informação correta tem sido notório. “Ainda nos nossos trabalhos de terreno temos dado primazia as medidas preventivas e de segurança por ser um componente basilar para evitar o contágio, asseverou Dra. Oliveira.
Uma das grandes dificuldades sentidas nas ações de terreno é a convivência com enormes dificuldades e pobreza extrema por que passa uma franja considerável da população, incluindo familiares de alguns voluntários. O que afeta de forma séria a focalização e consequente perceção, por essas pessoas, sobre as mensagens de COVID-19, ministradas pela equipa da Cruz Vermelha. “Com a chegada dos voluntários a preocupação primeira da população é saberem se irá ser distribuídos géneros alimentícios, confidenciou-nos um voluntário!
Com o aumento de casos positivos na ilha de Santiago e da Boavista e em conformidade com o Plano de Contingência da CVCV o país passou-se para a fase mais avançada de combate ao novo coronavírus que é a de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Nacional. Não obstante a ilha de S. Vicente continuar com um único caso positivo, o Conselho Local de S. Vicente adotou, imediatamente, medidas mais dinâmicas para dar resposta a nova situação. De entre outras medidas operativas, Intensificaram as ações de terreno e reforçaram o apoio aos parceiros em relação à campanha de sensibilização, constituição e distribuição de cestas básicas, repartição de sopas aos idosos acamados, como também, em parceria com serviço de Psiquiatria do Hospital Baptista de Sousa a distribuição de medicamentos e aplicação de injeção às pessoas portadoras de doenças mentais, como também angariação de géneros alimentícios na classe empresarial sanvicentina e a particulares.
Para Romine Oliveira as insuficiências detetadas no terreno são várias. “Gostaríamos de poder contar com mais materiais informativos. A quantidade de cartazes e folhetos disponibilizados mostrou-se manifestamente insuficientes face ao número de bairros e famílias visitadas diariamente, não obstante uma gestão apertada e criteriosa na sua distribuição. As máscaras faciais, álcool 70% e álcool gel também foram poucas. Com o andar dos trabalhamos denotamos a necessidade de cada grupo de sensibilização dispor de uma mala de Primeiros Socorros e uma alimentação reforçada para os voluntários, atendendo as distancias percorridas e ao longo tempo de permanência longe da sede”, rematou.
O Conselho Local de S. Vicente têm sentido fortalecido com a capacidade de assimilação demonstrada pela população aos trabalhos de sensibilização e aconselhamento. “ A população tem sido bastante assertiva. A nossa comunicação é bem recebida, com uma interação proveitosa e fluida em virtude das pessoas se mostrarem informadas, com exceção de alguns casos isolados e identificados de indivíduos que exigem reforços em matéria de segurança” atestou Romine Oliveira.
Uma questão que mereceu um sentimento de aperto e que tem preocupado aos voluntários da Cruz Vermelha em S. Vicente tem a ver com alguma pobreza constatada no terreno. Romine Oliveira Psicóloga de profissão e responsável máxima desta instituição humanitária na ilha de Monte Cara observa que em certas localidades é custoso e doloroso pedir às crianças para ficarem em casa, quando vivem em casebres feitas de chapas de tambor, que nos seus interiores não dispõem de espaço para se permanecerem com mínima de comodidade e nem meios ínfimos para se ocuparem. “Estamos a angariar materiais didáticos como lápis distintos, livros de pintura, papel em branco, jogos diversos, entre outros para as ajudar a ultrapassar a agressividade de os manter confinados em espaços tão perversos. Queremos mante-las próximo das moradias ao invés de ficarem deambulando pelas ruas. A infância é anunciada, antes do verbo” concluiu.
Ter a possibilidade de auxiliar aos desfavorecidos com alimentos é atenuar a questão primordial da nossa existência, o sofrimento e a privação.

Em consequência de calamidades, desastres naturais, conflitos armados, entre outros fenómenos que vem assolando o mundo, um elevado número de famílias são afetadas de diversas formas sendo um dos mais gravosos a separação familiar, que os obriga a um sofrimento infindável e a uma angústia intolerável por desconhecimento do paradeiro dos entes queridos
Perante tal quadro, o Comité Internacional da Cruz Vermelha através dos serviços de Restabelecimento dos Laços Familiares (RLF) de que Cabo Verde é membro, faz de tudo para a restituição desse laço rompido, quase sempre, por motivos alheios aos afetados.
É de realçar que uma das obrigações básicas do serviço de RLF é precisamente a recolha e o tratamento de informações dos desaparecidos, e restitui-los ao ceio familiar. Ele funciona em rede e é constituído por estruturas da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha, que conduzem de forma imparcial e discriminada inquéritos global e multissectorial de petição de familiares de pessoas desaparecidas, com intervenção e participação de autoridades nacionais dos países membros como parlamento, governo, tribunais e ministério público, forças policiais, pessoal de saúde, comunicação social, ONG’s, entre outras.
Porém, apesar de este serviço ter priorado as suas atividades pelas questões acima mencionadas, também, tem feito um esforço extraordinário para evitar ou diminuir a separação das famílias em situações anómalas como guerras, cataclismos ou migração, viabilizar o restabelecimento de comunicações entre famílias apartadas, procurar os desaparecidos, garantir o reagrupamento familiar, ajudar na obtenção de documentos oficiais e meios que facilitam a movimentação tanto no país de destino como no retorno ao país de origem, auxiliar às autoridades no esclarecimento de denuncias a cerca dos desaparecidos, como também, prestar assistência material, legal, psicológico e outros, às famílias de pessoas desaparecidas, na identificação forense e na transladação de cadáveres.
Uma questão atual e que tem preocupado e muito os governos de todo o mundo e em particular os europeus tem a ver com a movimentação de pessoas ou seja a migração, que é considerado muito complexo por incluir categorias diversas de indivíduos no mesmo fluxo, como requerentes de asilo, vítimas de tráfico, crianças não-acompanhadas e separadas, migrantes abandonados, apátridas e outros indivíduos vulneráveis que viajam internacionalmente que é classificada como migração mista. E o serviço do RLF tem despendido uma atenção especial a este assunto que muitas vezes envolve migração irregular e migração de trânsito que envolvem pessoas que migram atravessando fronteiras de forma não autorizada.
Neste momento, o RLF tem priorizado as suas atenções na formação e troca de conhecimentos entre os seus membros, com vista a uma intervenção mais eficaz e eficiente nos domínios da comunicação e novas tecnologias, movimento migratório misto global, recolha, análise, tratamento, custódia e difusão de dados, diplomacia humanitária e, ultimamente, o COVID-19.
Em Cabo Verde o RFL teve o seu auge nos meados dos anos 2000. Nessa altura, foi criada uma rede nacional deste organismo, com um ponto focal em todos os Conselhos Locais da CVCV. Porém, como forma de devolver o dinamismo de outrora tona-se imperativo, retomar o modelo utilizado em 2000 pelo Dr. José Semedo.
Considerando a situação de Cabo Verde face a pandemia do COVID-19 e ao reflexo da realidade migratória no espaço CDEAO, juntado ao facto de sermos um país arquipelágico, colocam novos e grandes desafios a este importante organismo humanitário, no que diz respeito uma melhor intervenção na proteção dos direitos dos migrantes, com enfoque nas crianças e mulheres, mais precisamente no domínio social, no aconselhamentos e informação na obtenção de meios de subsistência, no direito das crianças ao ensino, à alimentação, entre outras.
O RLF da CVCV tem ainda a incumbência de interpelar todo o voluntário a inscrever-se como um membro desta rede, a fim de ajudar a minimizar o sofrimento, ainda que de uma única pessoa.
Voluntário do Conselho Local da Praia.
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